Mostrar mensagens com a etiqueta anos 70. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta anos 70. Mostrar todas as mensagens

30.3.07

Arte e Ofício - uns gajos do Norte

Surgem em Brava Dança referências aos Arte e Ofício. Mas afinal quem eram esses tipos? Sérgio Castro (baixo), António Garcês (voz), Álvaro Azevedo (bateria), Fernando Nascimento e Serginho (guitarras) vinham do Porto, e em tempos foram o melhor grupo português de rock. Ou talvez não, dada a salutar rivalidade que se fazia sentir entre eles e os lisboetas Tantra. Em todo o caso era difícil - e ainda hoje é - encontrar um cantor como Garcês. Ele e Sérgio Castro já tinham passado pelos Psico; e o baterista fizera parte dos Pop Five Music Incorporated. As imagens providenciadas pelo Videotoupeira oferecem-vos uma breve ideia de como é que tudo isto funcionava em conjunto.

29.3.07

(Lisboa) Sonho nº 2

« Levou a droga para a esquadra - Um tipógrafo desempregado que pediu aos guardas da PSP para utilizar as instalações sanitárias da esquadra do largo do Jardim do Regedor, acabou por ser detido. Isto, porque tendo os guardas estranhado que o homem se demorasse tanto tempo, abriram a porta e deram com ele a injectar num braço um líquido que se presume ser droga.»

Recorte do Diário de Lisboa 04Jan1977, citado em Paulo da Costa Domingos, Asfalto, Lisboa: & etc., 1977 (Dezembro)

Notas sobre Portugal - 1978


«O "Quinto Império" de Pessoa não exigia já o delírio e a inconsciência e os vãos sacrifícios ao fim dos quais perdemos, como era previsível e até para cegos de nascimento, um império terrestre que só começou a existir a sério para a Nação quando surgiu no horizonte a possibilidade da sua perda. Com essa perda alterou-se em profundidade e definitivamente a imagem corporal que cada português, mesmo os que o não sabiam, transportavam consigo. Aparentemente, sem que isso tenha mobilizado a paixão e a inteligência pátria para reajustar à nova realidade portuguesa, amputada da sua existência secular de nação imperial e colonizadora, uma nova imagem. Depois de tantas décadas de convívio íntimo oficial com uma imagem particularmente irrealista da nossa História e das nossas possibilidades, o despertar dessa existência eufórica acabada em pesadelo tinha de arrastar após si o impulso duradoiro dessa mitologia nefasta. Como era de esperar, não seria uma Revolução caída do céu militar que poderia repor miraculosamente o País em condições de se readaptar, enfim, àquilo que é e que pode. As contas a ajustar com as imagens que a nossa aventura colonizadora suscitou na consciência nacional são largas e de trama complexa demais. A urgência política só na aparência suprimiu uma questão que também na aparência o País parece não se ter posto. Mas ela existe. Querendo-o ou não, somos agora outros, embora como é natural continuemos não só a pensar-nos como os mesmos, mas até a fabricar novos mitos para assegurar uma identidade que, se persiste, mudou de forma, estrutura e consistência. Chegou o tempo de existirmos e nos vermos tais como somos. Ao menos uma vez na nossa existência multissecular aproveitemos a dolorosa lição de uma cegueira que se quis inspiração divina e patriótica, para nos compreendermos em termos realistas, inventando uma relação com Portugal na qual nos possamos rever sem ressentimentos fúnebres, nem delírios patológicos. Aceitemo-nos com a carga inteira do nosso passado que de qualquer modo continuará a navegar dentro de nós. Mas não autorizemos ninguém a simplificar e a confiscar para benefício dos privilegiados da fortuna, do poder ou da cultura, uma imagem de Portugal mutilada e mutilante, através da qual nos privemos de um Futuro cuja definição e perfil é obra e aposta da comunidade inteira e não dos seus guias providenciais.»

Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade - Psicanálise mítica do destino português, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978 (Junho)

27.3.07

Tantra

Os Tantra foram a primeira banda portuguesa a esgotar a lotação do Coliseu dos Recreios, em duas noites consecutivos de Dezembro de 1977, para os concertos de apresentação do seu primeiro LP, Mistérios e Maravilhas. No ano seguinte publicaram o segundo LP, Holocausto, que levariam depois em digressão pelo país. Entre um e outro disco, a formação do grupo alterou-se: mantiveram-se Manuel Cardoso (guitarra), António José Almeida (bateria) e Américo Luís (baixo), mas o teclista Armando Gama foi substituído por Pedro Luís, e Tony Moura, guitarrista e vocalista dos Psico, participou como artista convidado.

Graças ao Videotoupeira, eis um apontamento visual sobre o grupo que combina imagens desses dois momentos: no espectáculo de apresentação do primeiro disco, o cantor mascarado é Manuel Cardoso, e as imagens, embora fugazes, transmitem uma ideia (pálida) da pujança cénica dos Tantra; no segundo momento, em ambiente de sala de ensaios, é Tony Moura quem canta, enquanto Manuel Cardoso, agora sem máscara, se limita tocar guitarra solo.

Em ambos os casos, vê-se e ouve-se a presença do futuro herói baterista, a quem os demais chamavam «Chefe».

23.3.07

Os Perspectiva (excerto)

Os Perspectiva eram do Barreiro, e foram uma belíssima aventura, feita (como se percebe aqui) de um intenso trabalho poético e musical. Aquele guitarrista de barbas e camisola riscada é o nosso António Pinheiro da Silva, três décadas mais novo. Também é ele que diz o poema inicial, parece-nos.

22.3.07

Aqui d'el Rock - 1978

Os Aqui d'el Rock eram constituídos pelo Óscar (voz), o Alfredo (guitarra), o Fernando (baixo) e o José Serra (bateria), e foram o único grupo punk lisboeta que gravou discos - no caso, dois singles: «Há Que Violentar o Sistema» (com «Quero Tudo» no lado 2), e «Eu Não Sei» (com «Dedicada (a quem nos rouba)», no lado B); foi este último tema que integrámos na banda sonora de Brava Dança.

Os Aqui d'el Rock tiveram uma carreira curta, mas empolgante. Após o fim dos Corpo Diplomático, no início de 1980, o cantor Carlos Gonçalves ainda ensaiou com eles durante algum tempo; mas não chegaram a gravar mais nenhum disco, e por isso a memória do grupo foi-se desvanecendo lentamente. Porém, uma alma caridosa disponibilizou agora no You Tube esta pérola - que não podemos deixar de agradecer comovidamente.

Continuem a explorar o fundo dos vossos baús. Há que violentar o sistema.

16.3.07

Histórias de Setúbal

José Simões recorda duas histórias bem curiosas no seu blog Der Terrorist: como foi um concerto dos Faíscas naquela cidade, em 1978; e como foi o primeiro concerto dos Heróis do Mar , três anos mais tarde, ali à beira do Sado.

Ler também, entre outros, Como descobri Alexandre O'Neill

27.7.06

29 de Abril de 1978 - noite punk no CACO







Foi a noite em que, após a actuação dos Aqui d'El Rock, os Faíscas subiram de surpresa ao palco do Clube Atlético de Campo de Ourique, em Lisboa, e, apesar de não estarem no programa, «ofereceram-se para tocar». E tocaram.

Lisboa - 1979



















Fotos: Nozolino

19.7.06

11.7.06

Lisboa - 1977


















«A água sobre o alcatrão da Almirante Reis reflectia línguas fibrosas de luz verde e encarnada, azul e rosa
parecia um lago denso, homogéneo.
Tu caminhavas à minha frente encharcada & apesar do ar frio
cabelo rente loira como uma albina
as tuas jeans estreitas.
Junto à parede da fábrica estava muito escuro
há 2 semanas que as lâmpadas do sector tinham qualquer avaria.
Os carros ao passarem depressa molhavam-nos violentamente, eu tinha as mãos geladas mas não desisti.
Veio um táxi e eu apanhei-o sem ter dinheiro para pagar a corrida
indiferente.»

(29.01.1977)


in Paulo da Costa Domingos, Asfalto: Lisboa, &etc, 1977