26.3.07
17.3.07
A entrevista no JL
O esplendor dos 80
Por Maria Leonor Nunes
Foram seis anos de vida em que deram tudo, da alma ao bolso, por conta e risco e pela convicção que é preciso passar das palavras aos actos, do querer ao fazer. Fizeram Brava Dança, um documentário sobre os Heróis do Mar, um grupo que marcou os anos 80, em Portugal. Jorge Pereirinha Pires, 46 anos, jornalista, tradutor, guionista e crítico literário e musical, – colaborou no JL, nomeadamente sobre matérias ligadas à Filosofia, área em que está a fazer um segundo mestrado, com José Gil –, e José Francisco Pinheiro, 41 anos, realizador de televisão e de videoclips – criador do Pop-Off, um dos mais singulares programas sobre música e não só –, juntaram a uma amizade antiga a ideia de fazer o filme, de que são autores, realizadores e investidores, ainda que tivessem contado com o apoio do ICAM. Só que metade desse apoio foi para pagar os três minutos e meio de imagens, que tiveram de comprar aos arquivos franceses, visto que dos primórdios dos Heróis do Mar não rezam os arquivos portugueses. Mas essa foi apenas uma contrariedade. Não lhes faltaram obstáculos e imaginação para os ultrapassar. De «respigadores» na investigação ao trabalho de «relojoeiros» da montagem, em que pacientemente converteram horas de entrevistas em cem minutos de filme. E não vão ficar por aqui. Brava Dança vai estrear dia 8 de Março, em várias salas de Lisboa e do Porto, mas querem levar a todos os lugares possíveis, numa espécie de descentralização pelo país, o filme que não quer ser uma «elegia», mas é um auto-retrato dos Heróis do Mar ou o recontar da história de uma banda que puxou o país para outra dança.
Jornal de Letras: Porque os Heróis do Mar?
Jorge Pereirinha Pires: Fizemos este filme por várias razões, a primeira das quais porque queríamos fazer alguma coisa juntos. Qualquer coisa que se visse.
José Francisco Pinheiro: Dentro do género documental, sobre uma agremiação musical ou um movimento artístico, poderíamos ter ido por caminhos mais fáceis. O mais difícil talvez fosse mesmo os Heróis do Mar e agarramos esse desafio.
JPP: Porque é uma banda que já acabou há quase 20 anos, não é tema de actualidade. Na prática, durante estes anos, andámos a investigar como respigadores, como no filme da Agnès Varda. Os Heróis vêm de um meio cultural muito pequeno de Lisboa, que no fim dos anos 70 estava sintonizado com outras correntes que agitavam as capitais europeias. A sua via é a música popular, mas o que transmitem é bastante mais vasto. Daí também a sua importância, são literalmente os porta-estandarte.
- Brava Dança fala também de uma geração?
JFP: Dos anos 80 e também de Portugal na actualidade.
JPP: Dificilmente poderíamos encontrar outro grupo que reunisse as suas características e que nos permitisse alargar o discurso para além da ‘infantilização’ das audiências, que normalmente se usa quando se fala de música popular. Além disso, os ‘Heróis’ são realmente notáveis e diferentes.
- Notáveis porque se tornaram muito notados?
JFP: Notáveis individualmente e em conjunto. São cinco personagens fortes e a energia que geraram juntos resultou em algo extraordinário num Portugal que não dançava, com pouco sentido de humor. Acho que nunca mais houve cá um front man de uma banda como o Rui Pregal da Cunha, com a devida vénia a Rui Reininho, que é contemporâneo. Mas também Pedro Ayres Magalhães, com a sua clarividência e genialidade, António José Almeida, sempre crítico, Carlos Maria Trindade, muito cerebral, ou Paulo Pedro Gonçalves, que é uma força da Natureza.
- De Brava Dança decorre a desconstrução de certas ideias feitas sobre os Heróis do Mar, muito conotados com a Direita?
JPP: Foram colocados nesse papel. A leitura que se fez dos Heróis do Mar, a decifração daquele processo artístico, foi condicionada à partida pelos média. Aparentemente certa esquerda estava desesperadamente a precisar de inimigos como forma de mobilizar os seus apoiantes. Aqueles rapazes puseram-se a jeito. É um pouco a medida do Portugal que tínhamos. Ou temos. Evidentemente que essa campanha teve consequências. Por exemplo, o facto de pessoas da extrema-direita aparecerem nos concertos a fazerem a saudação nazi. Eles tinham que os interromper e pedir-lhes para saírem. Claro que isso não era notícia na imprensa. Ninguém se dava ao trabalho de andar a ver os concertos para escrever sobre eles. A crítica musical no início dos anos 80 não era brilhante. Há o célebre episódio de Com as Minhas Tamanquinhas, de Zeca Afonso, ter sido considerado o pior disco do ano...
JFP: Ainda hoje somos consequência desses tempos. Saltámos directos da censura para o mercado, sem fundamentos. E muita imprensa, muito veículo de divulgação não está actualizado com as forças criativas que existem neste país. É mais fácil e seguro pegar nos nomes que já existem há muito tempo, do que investigar, sistematizar e mostrar tanta coisa nova que está a ser feita por jovens. E mais velhos, porque dói imenso ver pessoas que nunca tiveram o lugar que merecem.
- Por exemplo?
JPP: Al Berto. E com tanto lixo que se publica em DVD, acho notável que não se consiga ver filmes portugueses como os do António Reis e da Margarida Cordeiro.
- Há no princípio do filme um forte enquadramento político, que depois se vai diluindo?
JFP: Tal como se diluiu no país. Os Heróis do Mar surgiram com uma força Situacionista, mas não deixaram de ser engolidos e de se vergarem à sociedade de espectáculo e a todo o consumismo inerente.
JPP: Os processos artísticos, a vontade de fazer arte tem sempre uma dominante política, na medida em que se apela a uma determinada comunidade, indistinta e incógnita, sobretudo porque é de gosto. Foi isso que sucedeu com os Heróis do Mar. Eles suscitam o aparecimento de uma comunidade, mas a certa altura tornou-se pouco para puderem prosseguir. A uma sobrevivência em playback, preferiram acabar com o grupo.
- Além dos Heróis, registaram o testemunho de Edgar Pêra, Manuel Mozos ou António Campos Rosado. Que critérios seguiram?
JFP: Proximidade e envolvência no processo, em várias fases. Não nos interessou a opinião exterior.
JPP: É uma história contada de dentro para fora, sem comentadores.
- Sem o contraditório?
JPP: Não tem que haver. Não fizemos jornalismo. E afinal, o contraditório já existiu todos estes anos. Interessou-nos mostrar a vida de um processo artístico.
-Têm outros projectos? Poderemos esperar um documentário sobre outra banda ou mesmo sobre os anos 80?
JPP: E quem tem interesse em filmes ou séries que não tenham que ver com concursos, nem sejam telenovelas? E quem financia? Levámos seis anos a fazer Brava Dança. Uma série sobre os anos 80 em geral ou se faz de uma forma organizada, ou é um projecto até ao fim dos nossos dias.
JFP: Encontrámos muitas dificuldades para fazer este documentário. Num país onde não há a tradição do registo da memória é difícil encontrar imagens de arquivo. Mas já temos de facto outro projecto, que tem que ver com Portugal, as pessoas e os automóveis.
JPP: Portugal visto por um pára-brisas.
15.3.07
E por falar em rádio...
... valerá certamente a pena acompanhar a emissão de Álvaro Costa «Heróis do Mar - Duas Horas de Saudade», com a participação de Pedro Aires Magalhães, Carlos Maria Trindade, Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves, bem como dos autores de Brava Dança. Na Antena Um, entre as 17h e as 19h do próximo sábado, 17 de Março. Repete no dia seguinte pelas 21h (hora em que, na Antena 3, se emite pela segunda vez a «versão radiofónica» do filme). Pode assim dizer-se que haverá um simultâneo...
9.3.07
O cantor, entrevistado pela Sic-Notícias
22.2.07
Outra entrevista on-line
20.1.07
Conversas no éter radiofónico
Agora, a emissão está disponível aqui
22.10.06
Excertos de uma conversa com Sandra Oliveira

(Foto de Sandra Oliveira; Artwork TóTrips /Mackintóxico, descolorido por nós)
[No CCB, ao final da tarde de 3 de Outubro de 2006, enquanto, no estúdio, a máquina ultimava a versão final de «Brava Dança»]
A partida / o arranque
José Francisco Pinheiro
Conhecemo-nos em 1991 no Johnny Guitar. O Jorge era membro do júri do Concurso de Música Moderna e eu ia lá filmar as sessões para o programa Pop-Off. A certa altura eu também passei a integrar o júri e, em Agosto desse ano, o Jorge voltou a colaborar com a Latina-Europa e veio para a equipa do Pop-Off. Desde então já fizemos diversas coisas juntos. No nosso blogue existe por exemplo uma cópia de O Bom Pastor, um mini-documentário sobre o último disco de José Afonso que fizemos em 2000, e que aliás coincide com o início deste projecto.
Jorge Pereirinha Pires
Como é que surge a ideia? Em 1995 eu tinha publicado um livro sobre os Madredeus e, uns anos depois, numa noite em casa do Pedro Aires Magalhães, vi pela primeira vez uma colecção de recortes de imprensa sobre os Heróis do Mar. Eu tinha estado naquele primeiro concerto dos Heróis do Mar, bem como no concerto de apresentação dos Faíscas e em vários outros dos Corpo Diplomático. Durante algum tempo pensei que era material fascinante para um novo livro. Mas, nessa época, eu não tinha vida nem vontade para voltar a mergulhar num trabalho solitário. Além disso, já há algum tempo que eu e o José queríamos fazer qualquer coisa juntos. Então comecei a meter veneno no corpo deste rapaz: “O que era giro era fazermos um documentário sobre os Heróis do Mar…”
José
Ainda houve muitos brainstormings antes de decidirmos fazer o filme. E a ideia viajou por diversas zonas de Lisboa: começou em casa do Jorge, em Alvalade, antes de ele se mudar para a Ajuda. E eu, nessa altura, morava na Rua do Salitre, numa casa que ainda serviu de palco às primeiras entrevistas.
Jorge
No Verão de 2000 elaborámos uma primeira versão do projecto para nos candidatarmos ao apoio de pesquisa e desenvolvimento do ICAM. Fomos contemplados com os habituais 5.000 euros, que gastámos muito rapidamente…
José
… entre sessões de pesquisa nos arquivos da RTP e uma viagem a Londres para fazermos aquela que na altura era a entrevista mais difícil de conseguir – a do Paulo Pedro Gonçalves, que se tinha mudado para lá já há sete anos. Quando regressámos a Lisboa, mais animados, fizemos na Rua do Salitre as entrevistas ao Pedro Aires Magalhães, ao Fernando Pêra e ao Rui Pregal da Cunha, que regressara de Londres havia pouco tempo.
Jorge
Entretanto, seguindo uma ideia do François d’Artemare, encontrámos nos arquivos do INA as imagens dos Heróis do Mar ao vivo em Paris, em 1982.
José
O projecto foi reelaborado e apresentado ao concurso de apoio à produção no ICAM, mas dessa vez não fomos seleccionados. Nem na segunda vez.
Jorge
Entretanto, com a chegada do governo de Durão Barroso, houve um ano em que os concursos do ICAM nem sequer chegaram a ser lançados. Portanto, só à terceira vez que fomos a concurso obtivemos apoio. E tinha-se passado algum tempo...
José
Fizemos aquelas primeiras entrevistas, e depois parámos – o projecto não parecia ir a lado nenhum.
Na estrada
Jorge
A única maneira de fazer isto era ir fazendo. Creio que até agora nunca se tinha feito um filme destes, e percebemos muito bem porquê. Ao longo destes seis anos, a ideia inicial atravessou as mais diversas circunstâncias e toda uma sucessão de entusiasmos e desencantos. E é preciso sobreviver sempre aos desencantos porque a única coisa que não se pode fazer é recuar. Por isso, o filme foi tendo várias versões, e podia ter tido várias outras formas. A forma que tem é algo que se poderia dizer «etnográfico»: o que um documentário faz é mostrar formas de vida.
José
No fundo, a ideia era contar a história desta aventura, num cenário contemporâneo que até hoje não fora retratado. Nunca houve uma reflexão sobre a geração que viveu ainda muito jovem a confusão dos anos próximos ao 25 de Abril, e mais tarde aquela espécie de explosão musical dos anos 80. Em geral fala-se do “Boom do Rock Português” – mas isso foi um fenómeno comercial em que se vendeu alguma da música que se fazia. Ora a coisa era muito mais ampla do que isso...
Jorge
Ou seja, até parece que antes disso não havia música portuguesa. Mas evidentemente que havia. E aquilo de que se fala no filme – os Tantra, o movimento Punk, os Faíscas – é somente uma parte da história da música portuguesa dos anos 70. O chavão do “boom” não nos informa sobre nada. O que andava toda esta gente a fazer antes? Nós começámos por aí, pelas histórias de alguns deles, ainda antes do 25 de Abril.
José
Um pouco ingenuamente pensámos até que íamos começar um pouco antes e acabar bastante depois e que o filme ia ter mais de duas horas. E sabíamos que o nosso trabalho ia ser uma arqueologia.
Jorge
Houve até uma altura em que parámos o que andávamos a fazer para nos dedicarmos a ver todo o cinema português entre o 25 de Abril e 1980. Era importante, para percebermos o que se tinha feito, o que se passava na cabeça das pessoas nessa época, e o tipo de olhar que se dedicara a tudo isso. Também vimos algum cinema português dos anos 80, e, embora se citem alguns desses filmes, outros ficaram de fora, como A Rapariga no Verão, de Vítor Gonçalves, onde participam como figurantes alguns elementos dos Heróis do Mar e várias outras figuras que davam cor à Lisboa desses anos.
José
Não tínhamos estrutura, tempo e meios para fazermos uma história da música popular portuguesa desde os anos 60. Não que isso não fosse necessário. Mas com as dificuldades que há para encontrar material na RTP, é escusado. É inconcebível que nós tenhamos conseguido imagens da RTP, mas que a RTP não tem!
Jorge
As imagens que conseguimos têm várias fontes. Andámos a incomodar muita gente, a revolver-lhes as arrecadações e a despejar caixotes em busca de cassetes – áudio e vídeo – num processo que, aliás, nos levou bem para além dos Heróis do Mar. Mas depois há dificuldades técnicas: em dado momento encontrámos uma cassete em formato Betamax, que só vários meses depois conseguimos ler e transcrever, porque hoje em dia já quase ninguém tem leitores Betamax em estado funcional. Também houve cassetes cuja fita se partia e tinham de ser restauradas fisicamente. Enfim, foram horas e horas ocupadas com os mais diversos trabalhos.
José
Essas imagens com fantasmas, gravadas em VHS e Betamax nos anos 80, provavelmente são os únicos registos que existem. Além disso, é bom recordar que as imagens mais antigas dos Heróis do Mar são francesas. Três meses depois de eles surgirem em Lisboa, a ORTF filmou-os como uma proposta artística válida que interferia no meio parisiense. Também houve a felicidade de um dos membros do grupo ter uma câmara, com a qual ficaram registados alguns momentos da vida dos Heróis.
Jorge
A certa altura, o Pedro Aires Magalhães foi contagiado pelo nosso entusiasmo. E isso foi fundamental.
José
Na verdade, há um ano e meio atrás tínhamos poucas imagens. Se não houvesse o empenho e a organização do Pedro, nunca teríamos obtido boa parte do material. Por exemplo, foi ele que se lembrou das imagens do António José Almeida, que vimos pela primeira vez no início do Verão de 2005. E só este ano, em Fevereiro, é que digitalizámos o arquivo fotográfico do Pedro. E também foi em casa dele que se encontrou a cassete com o som dos Faíscas ao vivo em 1978, que sobrevivera a um incêndio mas ainda pôde ser restaurada.
Jorge
A partir de certo ponto, faz-se o filme com o que há, conta-se a história, e mostra-se qualquer coisa que não estava visível até agora, procurando elaborar um objecto que possa aumentar as conexões, alargar os horizontes do mundo conhecido. Do ponto de vista artístico o exercício interessante é sempre esse. Há ligações afectivas, e espirituais até, a estas pessoas, mas a motivação aqui passa por documentar o nascimento e a morte de um processo artístico. Tradicionalmente, o documentário é um processo de conhecimento, uma relação estabelecida entre um sujeito e um objecto. Neste caso optámos por anular-nos enquanto sujeito do documentário: o filme não tem voz off, não tem texto, e, do ponto de vista do ilusionismo que a linguagem cinematográfica é, é como se o objecto se contasse a ele próprio. Mas isso é uma construção que deu muito trabalho a conseguir. No fundo, somos manipuladores.
José
Manipulamos em plena consciência, a história vai por onde achamos que deve ir. Por isso, fazemos nela uma espécie de inscrição: embora pareça que sim, na verdade não seguimos a cronologia. Vamos à frente e atrás para fazer sentido. Sacudimos o tempo, por assim dizer. Mas a verdade é que queríamos ver um filme destes. E, como não havia nenhum, tivemos de o fazer.
Jorge
A ideia de criar um filme em que não houvesse texto «off» e em que os discursos pessoais fossem submetidos à lógica de um sentido comum foi uma das primeiras coisas de que tivemos a certeza, a premissa inicial desde o ano 2000. Em dado momento pensámos incluir frases em ambiente gráfico, mas de tudo isso sobrou apenas a citação inicial de Herberto Helder: “Ninguém tem mais peso que o seu canto”. Uma frase terrível e absoluta – nada lhe escapa.
José
Acima de tudo, sentimo-nos muito honrados com a confiança que os cinco membros dos Heróis do Mar depositaram em nós, bem como os outros entrevistados. É realmente um privilégio sentir essa confiança no nosso trabalho.
Jorge
São cinco pessoas muito especiais. E o exercício de nos confrontarmos com o passado nunca é isento de riscos.
José
Resgatar a memória é um mergulho muito mais alto e mais arriscado do que documentar o presente. Houve uma altura em que a nossa situação era dramática: como é que conseguimos ilustrar esta história se não temos imagens?
Ponto de chegada
Jorge
O que eu espero é que o filme seja eficaz de cada vez que alguém o vir. Quisemos fazer uma coisa que suscitasse um sentido comum, construir um dispositivo que apelasse a uma certa ideia de comunidade.
José
Julgo que fomos buscar o espírito daquela época e ele nunca nos abandonou. A nossa companhia mais assídua foi a adversidade. Mas também a persistência, o engenho, a amizade, a solidariedade.
23.6.06
LX-90 - a última entrevista lisboeta (video - 1993)
Naquela manhã, fomos por isso ao Hotel Amazónia com o simples intuito de nos despedirmos. Aconteceu que o José F. Pinheiro levava no bolso uma cassete Video 8 reciclável. Aconteceu que o Rui Pregal da Cunha tinha consigo uma câmara Video 8, com a bateria devidamente carregada («Agora pagas uma bateria...», diz ele no final). Aproveitámos assim para fazer um último registo dos LX-90 em Lisboa, o qual permaneceu inédito até agora , e do qual aproveitámos um excerto para integrar no documentário «Brava Dança».
Presentes, além de nós e da cantora Pilar Homem de Mello, todos os elementos da segunda formação dos LX-90 (o DJ Tó Pereira já se havia afastado do projecto).
