31.3.07
7 jovens... e músicos
30.3.07
Arte e Ofício - uns gajos do Norte
29.3.07
Luso-Clubbing (parte I)
1982. AMOR.
O primeiro máxi-single da história da industria discográfica portuguesa. O 1º disco de platina atribuido a um artista português. O primeiro vinil português a ser tocado por dj's em clubes e discotecas. Portugal aprendia a dançar.
(Lisboa) Sonho nº 2
Recorte do Diário de Lisboa 04Jan1977, citado em Paulo da Costa Domingos, Asfalto, Lisboa: & etc., 1977 (Dezembro)
Notas sobre Portugal - 1978
«O "Quinto Império" de Pessoa não exigia já o delírio e a inconsciência e os vãos sacrifícios ao fim dos quais perdemos, como era previsível e até para cegos de nascimento, um império terrestre que só começou a existir a sério para a Nação quando surgiu no horizonte a possibilidade da sua perda. Com essa perda alterou-se em profundidade e definitivamente a imagem corporal que cada português, mesmo os que o não sabiam, transportavam consigo. Aparentemente, sem que isso tenha mobilizado a paixão e a inteligência pátria para reajustar à nova realidade portuguesa, amputada da sua existência secular de nação imperial e colonizadora, uma nova imagem. Depois de tantas décadas de convívio íntimo oficial com uma imagem particularmente irrealista da nossa História e das nossas possibilidades, o despertar dessa existência eufórica acabada em pesadelo tinha de arrastar após si o impulso duradoiro dessa mitologia nefasta. Como era de esperar, não seria uma Revolução caída do céu militar que poderia repor miraculosamente o País em condições de se readaptar, enfim, àquilo que é e que pode. As contas a ajustar com as imagens que a nossa aventura colonizadora suscitou na consciência nacional são largas e de trama complexa demais. A urgência política só na aparência suprimiu uma questão que também na aparência o País parece não se ter posto. Mas ela existe. Querendo-o ou não, somos agora outros, embora como é natural continuemos não só a pensar-nos como os mesmos, mas até a fabricar novos mitos para assegurar uma identidade que, se persiste, mudou de forma, estrutura e consistência. Chegou o tempo de existirmos e nos vermos tais como somos. Ao menos uma vez na nossa existência multissecular aproveitemos a dolorosa lição de uma cegueira que se quis inspiração divina e patriótica, para nos compreendermos em termos realistas, inventando uma relação com Portugal na qual nos possamos rever sem ressentimentos fúnebres, nem delírios patológicos. Aceitemo-nos com a carga inteira do nosso passado que de qualquer modo continuará a navegar dentro de nós. Mas não autorizemos ninguém a simplificar e a confiscar para benefício dos privilegiados da fortuna, do poder ou da cultura, uma imagem de Portugal mutilada e mutilante, através da qual nos privemos de um Futuro cuja definição e perfil é obra e aposta da comunidade inteira e não dos seus guias providenciais.»
Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade - Psicanálise mítica do destino português, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978 (Junho)
27.3.07
Tantra
Graças ao Videotoupeira, eis um apontamento visual sobre o grupo que combina imagens desses dois momentos: no espectáculo de apresentação do primeiro disco, o cantor mascarado é Manuel Cardoso, e as imagens, embora fugazes, transmitem uma ideia (pálida) da pujança cénica dos Tantra; no segundo momento, em ambiente de sala de ensaios, é Tony Moura quem canta, enquanto Manuel Cardoso, agora sem máscara, se limita tocar guitarra solo.
Em ambos os casos, vê-se e ouve-se a presença do futuro herói baterista, a quem os demais chamavam «Chefe».
26.3.07
A Vaca de Fogo - 1987
O primeiro videoclip dos Madredeus, que durante muitos anos foi também o único, adaptou o ambiente castiço e bucólico do bairro de Alfama à canção «A Vaca de Fogo» - o primeiro êxito do grupo, particularmente nos seus concertos ao vivo. O filme foi realizado por Paulo Miguel Forte e marcou o início de uma outra aventura (mas essa audiovisual), que se chamaria Latina-Europa.
24.3.07
Supersticioso - nas Eleições Presidenciais de 1986
Eis a histórica actuação "terrorista" dos HDM na noite da 2ª volta das eleições presidenciais de 1986: é Supersticioso, em versão agitada e integral, "hosted by" Carlos Fino e numa versão diferente do vídeo musical da mesma canção, anteriormente rodado numa jaula do Jardim Zoológico. O cenário fora inicialmente pensado para Pássaro Vermelho (...um gato é um gato/ um cão é um cão/ Portugal parece uma prisão...), tema que afinal nunca chegaria a ser ilustrado visualmente.
Wikitreta
É verdadeiramente hilariante, o cabeçalho da página da Wikipédia dedicada aos Heróis do Mar! Mas, na prática, é triste constatar que o que foi pensado como ferramenta de trabalho colaborativo e inspirou a recente produção de wikis dos mais diversos géneros, anda a ser aproveitado por alguém para espalhar tretas - que, naturalmente, «carecem de fontes» - e enganar o povinho. E mais alguém, com supostas responsabilidades de supervisão editorial, permite que se publique a coisa assim. Pura negligência, ou pura má fé?
A primeira entrevista dos Heróis na rádio...
Ver também Vozes Razoáveis (17), por Paulo da Costa Domingos
23.3.07
Os Perspectiva (excerto)
Rapazes de Lisboa: vão para o campo trabalhar!
Em 1984, Paulo Pedro Gonçalves e Pedro Aires Magalhães publicaram, através da recém criada Fundação Atlântica, as suas primeiras obras a solo - até hoje, também as únicas. Rapazes de Lisboa, de P.P. Gonçalves, e Ocidente Infernal de P.A. Magalhães nunca foram reeditadas em versão digital e continuam a ser obscuros e cobiçados discos de culto.
Para aguçar ainda um pouco mais o apetite, eis um excerto da «versão urbana» de Rapazes, com animação visual de ZEFP. E aguardem igual tratamento para Ocidente Infernal.
22.3.07
Festa xamânica em 1992
Numa Lisboa efervescente, reuniram-se boas vontades e lá fomos durante uma tarde de Abril para um armazém em Xabregas, habitual palco de genuínas "rave parties" - clandestinas, como mandavam as regras - que incendiavam as noites da capital. Na noite anterior tínhamos estado no areal da Costa da Caparica para a captação de imagens de uma situação labirintíco/xamânica.
Foi o primeiro vídeo musical português a entrar no "sistema MTV" (MTV Brasil em 1992) e nele surgem os rostos e os corpos de Rui Pregal da Cunha, Paulo Pedro Gonçalves, Nini Garcia, DJ Vibe, Nuno Roque, General D, Patrícia Bull, Ana Marta, Júlia Schönberg, Nelson, Miguel Manaças, DJ Johnny, os Alcantara Dancers e os alunos da escola de circo do Chapitô. Obrigado a todos eles, e muito especialmente ao João Silveira Ramos, que foi quem descobriu aquele espaço.
No ano seguinte, os Lx90 deixaram Lisboa para se fixarem em Londres.
Aqui d'el Rock - 1978
Os Aqui d'el Rock tiveram uma carreira curta, mas empolgante. Após o fim dos Corpo Diplomático, no início de 1980, o cantor Carlos Gonçalves ainda ensaiou com eles durante algum tempo; mas não chegaram a gravar mais nenhum disco, e por isso a memória do grupo foi-se desvanecendo lentamente. Porém, uma alma caridosa disponibilizou agora no You Tube esta pérola - que não podemos deixar de agradecer comovidamente.
Continuem a explorar o fundo dos vossos baús. Há que violentar o sistema.
21.3.07
33
Para os que se queixam de que não conseguiram memorizar nada. Para os que saem antes do fim da história - enganados pela "programação automática" das salas da Lusomundo que põe o recinto pipoqueiro a meia-luz 7 minutos antes do final do filme. Para os que se aborreceram e para os curiosos, divulgamos a lista completa dos créditos musicais, em slow motion e com brinde...
Acompanha EU NÃO MERECI, uma pérola do quarto álbum não incluída em Brava Dança.
20.3.07
Os lixeiros
1988.A contínua reinvenção. 7 anos depois do meteoro que foi o 1º álbum, os Heróis do Mar ainda o encenavam com vontade e modernidade. Manuel Jorge Roque apresenta, Rui Reininho dá uma ajuda e...quem toca baixo?
19.3.07
LXboa nos 90
Da Estrela à Mouraria, um bando de lisboetas canta em inglês.
Estamos em 1992, vendo e ouvindo o caminho da redenção escolhido por aqueles que também foram para fora.
Um street movie genuíno proporcionado por uma cidade generosa. Road To Redemption dos LX 90 (dessincronia cortesia de you tube).
Herberto Helder (2)
Mas de tudo isso descobri eu os maneirismos e a figura romântica. Éramos uma nova imitação de Cristo na luciferina versão de alguns radicais, antigos e modernos, para quem a poesia foi uma acção terrorista, uma técnica de operar pelo medo e o sangue. Ingenuidade tão monstruosa como a da mitologia solar que transporta para os mercados as pombas da paz, a terceira pessoa do pacto social – isso: o que a lei espera do amansamento das disposições dramáticas.
É sempre fácil caminhar em cima das águas, mas é impossível fazê-lo milagrosamente. Tornou-se um número de circo – aquele equilíbrio no arame que mata o apetite de vertigem e nebulosa delinquência de uma emotividade suburbana. A última revelação é esta de sermos os produtores inexoráveis e os inevitáveis produtos de uma ironia cuja única dignidade é descender do tormento, um tormento sempre equivocado na sua manifestação sensível. Por isso cada vez mais me devoto às imobilidades, aos silêncios, ao sono.
Se quisesse, apresentava-me como uma vítima da escrita, da inocência, da neurose e suas instâncias psiquiátricas e psicanalíticas; uma vítima da mitologia do fogo e da água, das razões misteriosas da morte e transfiguração, ou do princípio de que aquilo que está em baixo é igual ao que está em cima, das práticas sexuais angélicas no fundo do inferno; vítima, enfim, da oposição ao mundo e do radicalismo com que alguém se empenha na utopia do ouro onde gloriosamente queima os dedos. Poderia dizer: sou um leproso!
Mas vivi em África, longe de toda a cartografia vertente, longe também da intenção mitográfica euro-africana – e aconteceram-me alguns entremezes sinistros e iluminantes. Vi leprosos, fui tocado por leprosos. Vi a guerra, a morte frontal, a minha morte – e vi os desertos. Vi-me a mim próprio subindo, numa metamorfose exasperada, dos precipícios do pavor até às estritas regras da vida. E estava maduro para ver tudo. Desejei então ser eu mesmo o mais obscuro dos enigmas vivos, e aplicar as mãos na matéria primária da terra. Gostaria de ser um entrançador de tabaco.
Não sou vítima de nada; não sou vítima da ilusão do conhecimento. Escrever é literalmente um jogo de espelhos, e no meio desse jogo representa-se a cena multiplicada de uma carnificina metafisicamente irrisória. As caçadas celestes, o esotérico pentagrama corporal, a antropofagia mágica imprimiram-me no filme docemente truculento do cinema geral de bairro, endereçado à fruição analfabeta.
Qualquer poeta que tenha atravessado os túneis pode assinar a palavra "merda".
Claro que conheço vários medos e ferocidades. Por isso ainda estou vivo. É o outro lado da ironia, lado a que chamo fabuloso de uma ironia a que também chamo fabulosa, não por serem posse minha, mas por pertencerem a este fabulosamente vazio enigma do mundo.»
[in Photomaton & Vox, Lisboa: Assírio e Alvim, 1979]
Com um obrigado ao Paulo da Costa Domingos
Ver também De Um Lugar Entre Outros
17.3.07
Silvestre (1981)
O que importa aqui não é apenas a sua coincidência temporal com a eclosão dos Heróis do Mar, mas antes a sua coincidência temática: também Silvestre parecia regressar ao período mítico da Idade Média e ao imaginário dos romances de cavalaria para exibir uma metáfora do presente.
No entanto, não se vislumbrou nele a ameaça «reaccionária» que seria detectada nos Heróis do Mar. Porquê?